Então o Kills completou dez anos, com direito a showzaço em NY. A dupla tem uma das histórias mais legais dos últimos tempos, diz aí: pencas de parcerias bacanas, Jamie casado com Kate Moss, Alisson dando pinta de it girl na Vogue, etc etc. Acima disso, as apresentações seguem incendiárias. Difícil achar melhor ilustração para “visceral”.
Crystal Castles é uma banda bem qualquer coisa mas que faz todo o sentido na nossa década estranha: é uma dupla, desafia definições, tem mais referências que talento propriamente dito e não dá a mínima pra o que eu, você ou o resto do mundo acha. O som é baseado na voz sempre distorcida da gracinha-gótica Alice Glass e nas batidas e arranjos do seu comparsa Ethan Kath.
Mas o CC ganhou contornos mais interessantes quando deixou de ser tão juvenil e assumiu um som dark-pop-oitentista em seu segundo disco, homônimo, de 2010 – é nele que está “Not in Love”, com vocais do líder do Cure, Robert Smith. Desse mesmo disco retorna agora uma faixa que passou batido na época, “Suffocation”, graças a um recém-lançado vídeo:
Alice soa bem quando deixa a histeria de lado no palco e coloca a bonita voz a serviço de algo mais próximo de uma canção. Me faz pensar se o CC não pode crescer pra se tornar um dos bons nomes da década, com um próximo álbum menos raivoso e mais bem acabado. Divagações à parte, “Suffocation” ganhou remix do povo do HEALTH (que foi sucesso electro-indie quando fez uma boa versão de “Crimewave” no distante ano de… sei lá, 2007?). Ouça abaixo:
ps: mais tipo que a Alice Glass no palco, só o japonês cabeludo do HEALTH. Sério.
O Unsound é um festivalzão polonês de música com viés (adoro usar essa palavra, “viés”, #tiposdepedante) experimental que existe desde 2010. A edição 2011 mostra como está ligado no que importa no mundo hoje e exiebe um gato preto bravo. Coisa mais Cat Effects. O line é bem legal e você vê completo aqui: Unsound Festival Expands Lineup.
É o debut do novo grupo de Gerard Love e, não por acaso, soa exatamente como deveria. Como Teenage Fanclub.
The Glass- Washed Up
Vai pra balada hoje? É CARNAVAL, WOOOOOW! Taí, música e clipe totalmente party-pleasing. Achei no Feeling the Blank
Yacht – Shangri-LA
Utopia. Los Angeles. A piração atual da dupla maluquinha/feliz da DFA que é, originalmente, de Portland.
Jamie N Commons – The Preacher
Não conhecia, me pegou por acaso outro dia quando invadi uma reunião que não era a minha na MTV (essas coisas acontecem). Deve passar na faixa de clipes do GOO qualquer hora, se houver alguma justiça no mundo.
Wooden Wand – Winter in Kentucky
Indie-folk-deprê de James Jackson Toth com direito a orgãos.
Santigold
Santi White ensaia retorno com direito a tour com o Red Hot Chilli Peppers e tudo. Pra mim a moça é gênio e seu primeiro disco teve mais atenção da crítica do que do disco – mas envelheceu muito bem nesses três (ou quatro) anos, pode procurar pra ouvir. A voz dela continua grave e clara, as referências bacanas estão no lugar. Master Of My Make-Believe chega em algum momento desse ano.
E NÃO É SÓ ISSO!
A nova do Heartless Bastards que saiu em dezembro passado apareceu aqui em ótima crônica no no Said the Gramophone
Pode se preparar pra ouvir falar horrores do Alabama Shakes assim que o primeiro álbum sair (já tá em pre-order no bandcamp). Enquanto isso, tem música nova, “Heavy Chevy”, aqui. Se não conhece, é a hora:
Momentinho hype-do-Brooklyn: o School of Seven Bells assume 100% de sua parcela Cocteau Twins Lush no novo disco, Ghostory. Já dá pra ouvir no no hypem e o RCRDLBL disponibilizou um remix inacreditável pelo pessoal do Scissor Sisters.
Detesto Carnaval. Mas amo ficar em São Paulo nos feriados. Dito isso, tenho três coisas legais pra fazer esse feriado.
Silver Apples
Taí, uma coisa cult pro seu feriado inteligente na cidade vazia. Vamos ver um senhor na aurora de sua sétima década de vida mostrando música eletrônica experimental e hipnótica? VAMI!
Esse é Simeon Coxe III tocando “Oscillations” versão 2010, uma das composições do Silver Apples. O projeto lançou apenas dois álbuns, em 1968 e 1969, hoje reverenciados como pioneiros de técnicas de sampling e intenções hipnóticas. É música eletrônica vanguardista e experimental, cheia de modulações, altamente psicodélica, bebendo sem medo da inesgotável fonte do kraut rock. Ficou décadas na obscuridade, assunto apenas entre nerds musicais, e foi redescoberto com força total nos anos 90, não por acaso o auge da eletrônica, justificando uma série de apresentações pelo mundo. Atualmente Coxe se apresenta sozinho, já que a outra metade da maçã, o baterista Danny Taylor, morreu em acidente em 2005. Raridade. Rola HOJE, sexta-feira, no SESC Vila Mariana, às 21h.
Vá e faça comentários sobre Stockhausen e a música experimental no contexto do pós-guerra europeu. Alala-ô, galera!
El Guincho
Sem Silver Apples provavelmente não haveria algo como El Guincho, estranho projeto de Pablo Díaz, nascido nas Ilhas Canárias.
Díaz chamou a atenção em 2008 com Alegranza!, disco que marca um tipo de experimentalismo tropical, dançante e polirritmico. Influências variadas são a tônica, como em tantas coisas da década atual. Entra no caldeirão percussão cubana, David Bowie, eletrônica alemã e, porque não, a guitarrada paraense. Tudo com um clima, digamos, malemolente,
O site oficial de seu álbum atual, Pop Negro, lançado pela cool Young Turks (casa de The xx, Holy Fuck e Chairlift), tem uma tela dedicada às influências do álbum, declaradamente “a era de ouro das gravações em áudio dos anos 70 e 80″. Wow.
Perfeito pruma noite quente de verão que nem hoje. Sim, hoje, e no mesmo horário do Silver Apples, no SESC da Pompéia. Ainda há ingressos disponíveis. Vá, encha a cara de choppe e emende no Neu!, ali perto, donde aliás o El Guincho discotecou ontem – ele tá em SP desde o começo da semana.
Ops, faltou uma?
Bom, a terceira coisa é ficar em casa lendo sobre mecânica de foguetes e assistindo cinema revolucionário soviético já que pessoas que detestam Carnaval devem cultivar hábitos inteligentes e intenções elevadas. Minha leitura do feriado é essa.