Bicicletando em grandes cidades

Uma coisa que grandes metrópoles, pelo menos a maior parte delas têm em comum: bicicletas como meio de transporte.

Paris, Berlim, Nova Iorque, Londres e afins enxergam com naturalidade (e consequente respeito) os ciclistas no meio do tráfego. Os ciclistas, por sua vez, têm opções de ciclovias e ciclofaixas. Há lojas que alugam bikes para turistas, roteiros turísticos sobre duas rodas e também serviços do tipo city bike, com magrelas que podem ser alugadas em um ponto e devolvidas em outro. Nova Iorque está recebendo agora seu primeiro serviço desse tipo, comum em Londres e Paris.


City bikes em Londres, onde ganharam o apelido ‘Boris’, por causa do Prefeito.

São Paulo (que não tem a topografia plana de Amsterdam, mas também não é São Francisco) e Rio de Janeiro também contam com city bikes, serviço patrocinado por um grande banco que, apesar de trabalhar só com cartão de crédito (alô: correntista do próprio banco não pode usar cartão de débito? WHY?), tem boa aceitação e sucesso considerável. Eu vejo muita gente usando as bicicletas cor de laranja quando estou na rua.


City bikes no Rio, onde o cenário e a topografia ajudam muito!

Sem a vocação para o ciclismo de capitais européias, São Paulo tem um dos piores tráfegos de veículos do mundo. O transporte alternativo, que não entupa mais as ruas de carros ou os ônibus de passageiros, não é só necessário. É urgente.

Comecei a usar bicicleta pra valer na cidade esse ano. Tenho alguns pontos trabalhando em meu favor: mudei para um prédio que oferece bicicletário, a ciclovia de Pinheiros fica logo abaixo, há árvores daqui até o Parque Vila Lobos, que durante a semana é uma tranquilidade só, e pra ir até a ciclovia da Marginal levo menos de dez minutos.

Ainda assim, é cansativo. A ciclovia atravessa ruas, então eu preciso parar para deixar os carros passarem, mesmo quando eles estão atravessando por cima da faixa de pedestres ou na luz vermelha do semáforo. Usar a ciclovia da Marginal significa ter que passar por trechos de rua no meio dos carros (‘toma cuidado, por favor’, diz meu namorado quando saio de casa) e ter apenas a estação Vila Olímpia para entrar ou sair, subindo vários lances de escada com a bike no lombo. E se eu quiser ir pra outras estações, como Morumbi ou  Pinheiros? Aí tem que deixar a bicicleta na bicicletaria (é gratuito, mas tem que fazer cadastro e cada posto tem um cadastro próprio, independente) e usar o trem. Ou ir de bike pelas ruas mesmo.


Ciclovia da Marginal, em SP: cenas que os carros não enxergam.

Há em São Paulo um serviço (gratuito) do tipo bike angel, em que um cidadão disposto vai até você e te ensina a usar a bike a seu favor na cidade. É um trabalho de formiguinha e importante, principalmente no que diz respeito aos deveres do ciclista: não atropelarás o pedestre em cima da calçada, pedalarás sempre na mão correta da via, prestarás atenção aos outros veículos, inclusive bikes, não pedalarás bêbado ou de forma kamikaze, usarás itens de segurança como luz noturna.

Há muito sendo feito e, consequentemente,  mais bicicletas nas ruas. O que todos gostariam agora é mais responsabilidade: do município de oferecer vias decentes, do motorista de enxergar o ciclista como gente, do ciclista de saber como agir. Isso fará as ruas de São Paulo mais ocupadas por pessoas e menos ocupadas por grandes caixas de metal com rodas e vidros fechados.

E uma cidade com as ruas ocupadas por pessoas é uma cidade mais segura, para ão dizer humana.

O David Byrne, do Talking Heads, escreveu um livro sobre cidades e bicicletas, onde divaga sobre questões de urbanismo, musica, arquitetura e economia. Chama The Bicycle Diaries e saiu em português como Diários de Bicicleta. Procure!

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David e um dos racks para bicicletas que ele desenhou e que estão espalhados por toda Nova Iorque (foto: Wallpaper).

About gaia passarelli

Freelance writer and traveler, based in Sao Paulo, Brazil.

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