Perfil: Moodyman para MTV1

Moody

 

HOJE EU QUERO FALAR DE TECHNO! MOODYMANN VEM AÍ!

Postado Gaia Passarelli // eletrônicamoodymann

Assim como o rock, o hip-hop e o jazz, a música eletrônica cria mitos e enigmas. Nessa categoria, um dos mais persistentes é Kenny Dixon Jr, o Moodymann.

Dixon deve vir ao Brasil para apresentação no Marky & Friends Festival, em junho, no Espaço das Américas, em São Paulo. Além de Moodymann e do anfitrião Marky, o lineup conta com os DJs LTJ Bukem e Mixmaster Mike – mais sobre esses dois em futuro post, prometo.

O assunto, por hoje, é Moodymann. Que, antítese do DJ superstar, já se apresentou escondido atrás de panos brancos e não raro interrompe o próprio set para pegar o microfone e contar sobre a música que está tocando. É um dos bastiões da eletrônica de Detroit, berço do techno e casa do coletivo Underground Resistance, com quem é frequentemente comparado graças à postura séria que mantém em relação a uma música que, na prática, muita gente simplifica como ‘para dançar’.

Pouco afeito à entrevistas, nas raras ocasiões em que fala com a imprensa Dixon emite opiniões contundentes sobre, por exemplo, o estado da música negra. Ou sobre como é difícil viajar de avião com discos de vinil. Ou sobre como você nunca, nunca deve tentar interromper seu set. Ou sobre como as mulheres preferem quando ele toca discos de doze polegadas.

O que justifica tanta seriedade, claro, é a música. Dixon pode não figurar em charts ou capas de revistas mas é, fácil, um dos mais criativos e interessantes nomes da música norte-americana dos últimos vinte anos.

Como DJ, faz sets que misturam clássicos do techno com house music e samples de funk e soul, sempre fugindo da música ‘díficil’. É música hipnótica para dançar, que evita acelerações de BPM e demais lugares-comuns com a qual as pistas se acostumaram nos últimos anos.

Como produtor, ele insiste na fórmula de prestar homenagem às raízes da eletrônica, com resultados fantásticos. Os álbuns Silent Introduction e Mahogany Brown são dois exemplos do que foi feito de mais elegante no fim dos anos 1990 em matéria de música sintética.

Mas esse lado dançante e suave pode dar lugar ao clima frio e cerebral techno de Detroit, como nessa que é uma das mais icônicas faixas do estilo, o EP “Dem Young Sconies”, de 1997.

Dixon lançou por gravadoras como Planet E, de Carl Craig, e a britânica Peacefrog. Mas tem seu próprio selo, o muito estiloso Mahogany Music, que está no Soundcloud.

Essa produção independente e intelectualizada que Moodymann propõe só é séria quando o interlocutor procura o discurso. Na prática, é música que serve para fazer o corpo se mexer e a cabeça viajar. Aumente o som e dê uma chance.

About gaia passarelli

Freelance writer and traveler, based in Sao Paulo, Brazil.

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