David Bowie Is… para Ilustrada/FSP

Colaboração para a Folha, em Londres. Único jornal brasileiro a cobrir a exposição do gigante inglês no Victoria & Albert Museum antes da abertura. Entrevista com a curadoria da exibição. Leia na íntegra aqui.

David Bowie Is

 

24/03/2013 – 03h07

Mostra que vem ao Brasil em 2014 explora impacto de David Bowie na cultura pop

GAÍA PASSARELLI

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM LONDRES

“David Bowie Is Everywhere” [David Bowie está em todo lugar] diz o Victoria & Albert Museum, de Londres, no anúncio da retrospectiva “David Bowie Is”, aberta ao público na quinta com 40 mil ingressos vendidos antecipadamente –um recorde histórico dos museus britânicos.

A frase faz mais sentido do que nunca. Em 8 de janeiro deste ano, quando completou 66 anos, Bowie encerrou uma fase discreta lançando música inédita e anunciando o disco “The Next Day”, o primeiro em dez anos.

“Timing” perfeito: o disco saiu no começo do mês, próximo da abertura da exposição que reúne fotos, figurinos, objetos e filmes com o cantor no prestigioso museu.

A mostra dimensiona o impacto dos 50 anos de carreira do artista, evitando seguir uma linha cronológica. A montagem dos ambientes ficou a cargo de uma companhia de produção com experiência em ópera e teatro, deixando no espectador um efeito marcante.

“Queríamos trazer a natureza inovadora de Bowie para o museu”, explicou Victoria Broackes à Folha, que assina a curadoria da exposição com Geoffrey Marsh.

“Decidimos olhar para aspectos desconhecidos de Bowie, naquilo que o inspirava, em como ele criava e colaborava com algumas das pessoas mais criativas do mundo.”

ARQUIVO B

O artista não participou de nenhuma etapa de montagem da exposição.

“Pessoalmente, imagino que teria sido um sonho realizado, mas creio que seria muito mais difícil mostrar a sua obra pelo nosso ponto de vista”, pondera Victoria.

A mostra não seria possível sem o livre acesso ao David Bowie Archive, um arquivo com mais de 75 mil itens de memorabilia do cantor que fica em Nova York, onde Broackes e Marsh passaram semanas pesquisando e selecionando objetos.

Na opinião dela, os desenhos, os bilhetes e as letras escritas à mão em páginas de cadernos e guardados por Bowie estão entre os itens mais valiosos da exibição. Além dos “storyboards” do musical “Diamond Dogs”, que ele finalizou em 1974, mas que nunca chegou a montar.

A peça deveria acompanhar o lançamento do disco de mesmo nome gravado naquele ano, em que Bowie, à época vivendo nos Estados Unidos, fez um mergulho na música soul. Entre outros projetos, Bowie estava decidido a filmar “1984”, clássico do escritor britânico George Orwell (1903-1950).

“Ver que esse homem, que estava gravando um disco e se apresentando ao vivo todas as noites, criou personagens e desenhou à mão toda uma história é muito impressionante”, diz a curadora.

RARIDADES

Um dos destaques da celebração “bowieana”, que tem um ar quase religioso no Reino Unido, é a sala onde enormes telões exibem gravaçõesde shows consideradas perdidas ou até então inéditas, em geral dos anos 1970.

Estão lá imagens da despedida dos palcos, em Londres, de Ziggy Stardust, personagem [e alter ego de Bowie] criado por ele quando lançou o disco homônimo em 1972 –um divisor na sua carreira.

Além disso, há uma inspirada apresentação da canção “The Jean Genie”, na BBC, e da pouco vista “Soul Tour”, na Filadélfia, nos EUA.

A mostra ocupa duas galerias. A primeira é dedicada à formação e às influências (leia ao lado), a segunda, à vida dentro e fora dos palcos.

O retorno recente do cantor está representado pelos dois clipes lançados neste ano, “Where Are We Now” e “The Stars (Are Out Tonight)”; este último, em que contracena com a atriz Tilda Swinton, com quem compartilha impressionante semelhança física.

Aos fãs brasileiros, um alento: “David Bowie Is” chega em janeiro do ano que vem ao país com todos os itens expostos no Victoria & Albert para ocupar o Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo.

“Houve um recorde de manifestações do nosso público quando anunciamos a mostra no site do MIS”, conta o diretor André Sturn, que acompanhou parte da montagem inglesa.

DAVID BOWIE IS
QUANDO até 11/8
ONDE Victoria & Albert Museum (Cromwell Road, London SW7 2RL); http://www.vam.ac.uk
QUANTO de £9 (R$ 27) a £15,50 (R$ 45)
CLASSIFICAÇÃO não informada

Editoria de Arte/Editoria de Arte/Folhapress

 

About gaia passarelli

Freelance writer and traveler, based in Sao Paulo, Brazil.

One comment

  1. Pingback: O que não perder na mostra David Bowie, do MIS | Gaía Passarelli

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