David Bowie do Dia #027 para MTV1

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DAVID BOWIE DO DIA #027 – FAIXA A FAIXA: THE NEXT DAY

Postado Gaia Passarelli // discodavid bowiedavid bowie do diathe next day


Bowie em estúdio

David Bowie, aos 66 anos de idade, tem uma invejável capacidade de surpreender. Em janeiro passado ele rompeu o silêncio anunciando sem qualquer cerimônia um novo disco, o 31º da carreira e primeiro após uma década de silêncio.

Esse álbum é ‘The Next Day‘, composto e gravado durante dois anos na mais completa discrição e produzido por um dos mais fiéis colaboradores de Bowie, o nova-iorquino Tony Visconti. E está, desde sexta-feira (‘St David’s Day’ na tradição do Reino Unido) disponível em stream gratuito e legal na iTunes Store.

Veja bem, não é que o novo disco do Bowie vazou durante a madrugada: ele foipublicado para audição (dizem que pelo próprio) dias antes da data oficial de lançamento.

Das 14 faixas de ‘The Next Day’, ‘The Stars Are Out Tonight‘ e ‘Where Are We Now‘ já eram conhecidas. As outras vão de baladas rasgadas a rocks poderosos, com saxofones, sintetizadores e a voz potente e segura de Bowie sempre à frente.

Inevitavelmente, comparações com o passado serão feitas. Com Heroes, Lodger e Scary Monsters (And Super Creeps) em especial. ‘The Next Day’ é um disco muito à vontade com o passado, coerente, sem necessidade de inovações. Vamos manter a clareza: nós não estamos nos anos 1970, Bowie não tem vinte e poucos anos e quem conheceu o artista em sua melhor forma, também não.

Há espaço, sim, para pirações melódicas, baladas sentidas e grandes refrões. É lento e um pouco ranzinza. O álbum tem pelo menos seis excelentes momentos, um grande feito, e as faixas ‘de transição’ nunca são menos que convincentes. Nenhuma das músicas corre por mais que quatro minutos e meio. Pra quem estava esperando um bom álbum, é uma satisfação.

Tirando o fator surpresa e toda a comemoração midiática em torno da volta do retorno de Bowie aos discos, ‘The Next Day’ poderá ficar tranquilamente na estante ao lado de ‘Heathen’ e ‘Reality’ – os dois últimos discos lançados antes do hiato, bons discos que merecem resgate.

Vamos lá.

1. ‘The Next Day’

A faixa-título poderia bem ser o próximo single. O tom de voz nasalado de Bowie ganha a companhia de guitarras que não fariam feio num Diamond Dogs.

2. ‘Dirty Boys’

Aqui Bowie se volta para escola art-rock pela qual fez tanto no fim dos anos 1970. Apesar de saxofone ser um de seus instrumentos prediletos, não é o próprio tocando.

3. ‘The Stars (Are Out Tonight)’

O segundo single do disco, tem um riff que lembra a bela ‘Looking For Water’ de Reality. ‘We will never get rid of the stars but I hope they live forever’ é uma das frases mais impactantes do álbum.

4. ‘Love is Lost’

Faixa de transição, climática e soturna, com uma letra de acordo. ‘Oh, what have you done, what have you done?’ É uma das grandes do disco e dá o tom para a próxima, que é…

5. ‘Where Are We Now’

… a melancólica balada que originou a Bowiemania deste começo de 2013 traz um Bowie de voz fraca citando locais em Berlim e questionando – onde estamos hoje? Ainda é, pra mim, o grande momento do álbum.

6. ‘Valentine’s Day’

O melhor vocal do disco. Alô, Ziggy, é você?

7. ‘If You Can See Me’

Uma rápida experimentação eletrônica com batidas secas e quebradas.

8. ‘I’d Rather Be High’

Comparações com ‘Ashes do Ashes’ já pipocaram. Segundo Tony Visconti, produtor do disco e um dos mais frequentes parceiros criativos de Bowie, é uma canção sobre ‘um soldado voltando da Guerra’.

9. ‘Boss of Me’

Mais saxofones, um dos momentos catchy do disco. Bowie alterna sua potência vocal com quase sussurros.

10. ‘Dancing Out in Space’

Faixa de transição, das que menos chama a atenção. Mas é melódica e dançante, um das raras canções doces do disco.

11. ‘How Does the Grass Grow’

Iaiaiaiaiaaaá…. Daqui pra frente não há uma canção mais ou menos. Uma das melhores sequências finais de discos, arrisco dizer.

12. ‘(You Will) Set the World On Fire’

Ótimo momento, grandioso. Eu só cortaria o solo de guitarra.

13. ‘You Feel So Lonely You Could Die’

Letra enigmática, corais, piano, um crescendo. Bowie adora drama.

14. ‘Heat’

Uma baladona triste que lembra ‘Wild is the Wind’. Encerramento sombrio e profundo, com a voz grave de Bowie em ótima forma.

About gaia passarelli

Freelance writer and traveler, based in Sao Paulo, Brazil.

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