Review: The History of the NME para MTV1

(original aqui)

OS SESSENTA ANOS DO NME EM LIVRO

Postado Gaia Passarelli // revistalivromúsicanme

Com seis décadas de vida, a publicação inglesa NME, abreviação de New Musical Express, representa como nenhum outro nome os muitos paradoxos da indústria musical.

O semanário, fundado em 1952, passou por crises de identidade, financeiras, editoriais, pessoais e sindicalistas. Sobreviveu a inúmeras reformulações, Beatlemania, excessos do rock’n’roll, punk, acid-house e Britpop. Inventou a versão britânica do jornalista musical superstar, enterrou rivais notórios (como a ‘Melody Maker’), gerou filhotes (‘The Face’, por exemplo) e nunca recuperou o mercado perdido para seus muitos concorrentes impressos, após o auge nos anos setenta. Quando a versão online estreou, em 1996, o NME perdia semanalmente em vendas nas bancas para revistas de heavy metal como a Kerrang!.


A capa da primeira edição

Mesmo assim, o NME é hoje um raro caso de sucesso editorial em tempos de interwebz, com a revista semanal fortalecida pela presença online e ramificada em aplicativos e redes sociais mundo afora.

Não é de espantar que a presença internética do NME seja bem-sucedida. O jornal foi um dos primeiros veículos impressos a fazer a transição para o mundo online – o grupo IPC, detentor da publicação, entendeu rapidamente a internet e criou o NME.com lá em 1996.

“Eu não podia imaginar o que era a internet [em 1996] e ninguém podia descreve-la”, diz Steve Sutherland, antigo editor do NME no livro ‘The History of the NME’, lançado esse ano como parte das comemorações dos sessenta anos da publicação.

A história contada no livro de Pat Long esbarra na mitologia pop-rock em vários momentos. Confortável no papel de semanário musical mais vendido do mundo por décadas a fio, o NME viu sua popularidade explodir quando associado à acontecimentos marcantes (a edição da morte de Ian Curtis foi a mais vendida em todos os tempos) mas amargou fracassos retumbantes na mesma medida. Ter perdido o bonde da explosão da acid-house ou enxergado com atraso o punk rock são alguns exemplos.


Algumas capas da NME

Equilibrando elogios e críticas à trajetória do NME, Long conta inúmeras histórias de bastidores, entrega más decisões e espinafra colegas com a mesma vontade com que esclarece contextos e explica acontecimentos históricos da música britânica. O livro acaba no momento em que o jornal se prepara para lançar o website, por volta de 1996.

Sutherland, editor do NME na época, conta que a transição não foi fácil. “Nós percebemos que notícias podiam ser entregues mais rápido online do que no papel. Quando eu assumi o NME era ‘o jornal de rock’n’roll mais vendido no mundo’. E de repente nos demos conta de que não dava mais para ser um jornal”.

Como em muitos outros veículos de imprensa ao redor do mundo, o empasse digital e online esteve presente. “Era uma questão de cometer suicídio ou ser assassinado. Nós sabíamos que as pessoas visitariam o NME.com ao invés de outros sites desconhecidos. Mas nós não sabíamos se estávamos canibalizando nosso próprio produto – e de certa forma, ainda hoje ninguém ainda sabe”.

Além de abraçar a agilidade (o slogan do NME.com hoje é “o mais rápido serviço de notícias de música”) a versão online do semanário esticou braços pra fora da Inglaterra – há versões na Rússia, Índia e (dizem) logo mais aqui no Brasil.

A publicação comemorou seu aniversário semana passada na Inglaterra com uma série de capas especiais, veja aqui http://www.nme.com/magazine.

The History of the NME
Pat Long
Portico
U$24 sob encomenda na Amazon ou Livraria Cultura

About gaia passarelli

Freelance writer and traveler, based in Sao Paulo, Brazil.

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