Entrevista Chromeo para MTV1

(original aqui)

ENTREVISTA COM DAVE1, METADE DO CHROMEO

Postado Gaia Passarelli // chromeosonar sao paulo

É uma sexta-feira chuvosa em São Paulo e meu trabalho do dia é entrevistar Dave 1, a metade magra da dupla de electro-funk Chromeo. Falar do Chromeo é sempre legal: Dave e seu comparsa P-Thugg são tão divertidos e espirituosos quanto parecem no palco. Fãs de hip-hop e amigos desde a infância, os dois ajudaram a injetar uma dose de bom-humor e, digamos, “danceabilidade” na música eletrônica nos últimos anos. Seu disco mais recente, Business Casual, lançado em 2010, foi um passo bem grande, com videoclipes super produzidos e uma extensa tour que passou por duas edições do Lollapalooza e presença nos principais festivais de música do mundo.

Ao vivo o Chromeo é uma experiência divertida, com Dave e P-Thugg fazendo piada entre as músicas e um sensacional trio de backing vocals, as Chromettes [de visual totalmente inspirado nas garotas de “Addicted to Love”, clássico clipe de Robert Palmer do fim dos anos 80]. O som deles faz lembrar imediatamente os melhores momentos de Stevie Wonder nos anos 80 num encontro fortuito com o hip-hop ensolarado da Costa Oeste norte-americana. E também remete à duplas pop dos anos 80 como Hall & Oates, influência assumida que já rendeu algumas participações especiais como esse show no festival Bonnaroo nos EUA.

Dave falou comigo por telefone de Austin, Texas. Tenho que perguntar, claro, se ele se lembra do show que a dupla fez no Brasil em 2010, numa festa fechada para apenas 250 pessoas. “Claro que lembro do Brasil, são as melhores lembranças da tour que temos. Foi uma viagem curta mas muito divertida. Voltar para tocar no Sónar São Paulo é uma honra!” Na época, prometeram voltar ao país para um show maior. E a oportunidade se faz perfeita agora.

A última vez que você esteve no Brasil, há dois anos, você estava numa correria para ir embora pq tinha que dar aulas em algum lugar. Ainda dá aulas?
Sim, eu estava indo para Nova Iorque onde dava aulas de literatura francesa numa universidade. Mas não esse ano, não estou mais dando aulas. Era difícil combinar as duas coisas, mas eu ainda conseguiria fazer. Eu apenas quis tirar um ano para me dedicar totalmente à música, sabe? Mas gosto muito de dar aulas, devo voltar a elas no ano que vem.

E o que mais mudou no Chromeo nesses dois anos?
Bom, nós ficamos em tour por praticamente dois anos direto. Acho que nesse período a banda cresceu muito. Acho que nós estamos mais seguros agora, e mais gratos pela banda ter atingido um outro patamar de sucesso. Mas basicamente, nós estamos melhores.

Eu acho que tem muitas referências que aparecem quando a gente analisa o Chromeo – Wham!, Hall & Oates, as garotas do Robert Palmer… Mas e para você, qual seria a principal influência musical do Chromeo?
Eu gosto de pensar que somos uma mistura de Daft Punk e Hall & Oates. Uma mistura de moderno e clássico, sabe?

Você e P-Thugg são amigos desde criança. Como é a relação de vocês na estrada, se conhecendo há tanto tempo e tocando juntos?
Eu acho que a gente passa por fases e têm fases em que está tudo bem e a gente se dá muito bem. Como em qualquer relação, na verdade. Mas o que importa mesmo é que a gente se dá muito bem no estúdio. Ainda há mágica no estúdio, a gente segue fazendo música juntos. A gente se diverte. E isso é o que mais importa.

E como vocês dividem a coisa criativamente? Existe uma coisa do tipo, por exemplo, você escreve as letras e ele faz as bases, ou o contrário?
Ah, varia de música pra música. Na maioria das vezes eu faço as letras. Mas quando se trata da música, varia mesmo, às vezes eu faço, às vezes ele faz. Mas ele escreve os refrões também. Varia muito. Por exemplo, eu diria que “Don’t Turn the Lights On” e “Needy Girl” são mais minhas e outras como “Fancy Footwork” e “Hot Mess” são mais dele.

Qual é a história de vocês com o [produtor canadense de música eletrônica] Tiga? Ele foi um tipo de padrinho pra vocês?
De um jeito estranho, sim. Ele foi o primeiro a nos oferecer um acordo para gravar um disco, sabe? Eu estava trabalhando numa loja de discos, cuidava da seção de hip-hop e ele tinha um selo de música eletrônica. Eu estava interessado em produzir hip-hop e ele disse “hey, você não gostaria de lançar pelo meu selo?” e eu disse “sim, claro, eu posso chamar meu amigo e nós podemos fazer um projeto estranho pra você”. Eu não tinha idéia do que música eletrônica era ou o que eu ia fazer. Mas nós assinamos com a Turbo [selo do Tiga] e foi assim que o primeiro álbum do Chromeo saiu . No fim, foi mais como se nós tivéssemos feito um favor pra ele. Mas foi ele que nos apresentou para a música eletrônica em primeiro lugar.

Última coisa: quem está dançando no vídeo de “Night by Night”?
Não sou eu, infelizmente. Eu fiz alguns closes, mas quem dança pra valer é um dublê. Ele é tão diferente de mim que nós pensávamos que as pessoas nunca iam cair nessa, mas parece que todo mundo realmente achou que era eu. Já teve até gente me parando na rua e me pedindo para dançar.

 

About gaia passarelli

Freelance writer and traveler, based in Sao Paulo, Brazil.

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