Archive | MTV RSS feed for this section

O melhor-pior vídeo de todos os tempos

24 Feb

Tô lendo esse livro aqui, que trata dos primeiros dez anos de existência da MTV norte-americana. Tem 600 e tantas páginas e tô na metade, mas até agora é uma leitura e tanto. Contado por trechos de entrevistas (que nem o Please Kill Me, se você não leu faça um favor a sí mesmo e arrume uma cópia já) costura bastidores de negociações, vexames dos VJs, criação dos programas como Yo! e historinhas de videoclipes clássicos como “Rio” do Duran Duran, “Like a Virgin” da Madonna e “Thriller” de você-sabe-quem. As lembranças dos próprios músicos e seus empresários são provavelmente a melhor parte do livro e vou deixar pra contar mais dele quando terminar nos próximos dias MAS não podia deixar de repartir com vocês o único vídeo que até o momento merece um capítulo próprio:

Taí a prova de como um videoclipe pode ser fatal para a carreira de um artista. Esse não mereceu segunda chance.

I Want My MTV na Amazon.

Where’s Yr Child, Marshall Jefferson e 100% Silk

6 Dec

Postei ontem um trechinho não-usado da entrevista que fiz com o Cameron Stallones/Sun Araw pro site rraurl.com. Tá aqui a íntegra.

Stallones é uma das atrações principais do festival Novas Frequências, que acontece a partir de amanhã no Rio de Janeiro e tem no cardápio coisas BEM LEGAIS da “nova música”, como os brasileirosPazes e Psilosamples e o norte-americano Com Truise. Mais sobre o Novas Frequências aqui.

 

Uma das coisas legais que Stallones conta na entrevista é a inspiracão que tem recebido de tracks clássica da house music e nomes como Marshall Jefferson – a saber, um dos principais nomes da dance music ancestral, autor de hits de pista de dança como esse e esse. Seu coletivo Where’s Yr Child realiza festas e remixes para pista enquanto propõe usar a música dançante para fazer o mesmo que a música introspectiva e experimental de fones de ouvido: alterar seu estado de consciência.

É aqui que a psicodelia muito doida desses caras que criam música sintética cheia de camadas e efeitos volta para as pistas e as torna divertidas e interessantes de novo. Não sei dizer se é sintoma dos cada vez mais chatos shows “indie”, da farofa genérica que se tornou a “música eletrônica” ou do retorno natural dos anos 90.

A música hoje é feita de cenários microscópicos. Nenhuma previsão apocalíptica podia prever um mundo com tantas subculturas. Por exemplo, já viu o sea-punk? (isso é assunto pra outro post)

Esse cenário indie-dance norte-americano hoje parte de experimentalismos doidões, drone e psicodelia para… bem, para fazer as pessoas dançarem. Como a galera ligada ao selo 100% Silk, uma subdivisão do Not Not Fun, que foi assunto semana passada num ótimo artigo da MTV Hive (leia aqui). Os grandes destaques do 100% Silk são os LA Vampires (da ex-Pocahaunted Amanda Brown, pense em efeitos sinistro caindo pro mais arrastado hip hop), a ultra-cool Maria Minerva (que já foi assunto aqui e declarou para a MTV Hive: “Eu odeio shows indie, onde todo mundo fica de parado e ninguém dança, é muito chato”) e o Ital (que, apropriadamente, homenageia Candy Staton e Frankie Knuckles).

 

Ital é mais um projeto do inquieto Daniel Martin-McCormick (Black Eyes, Sex Worker, Mi Ami). O delicioso “Ital’s Theme” não passou batido para publicações como a XLR8R e quem procura eletrônica vanguardista. McCormick é responsável por algumas das coisas mais interessantes dentro dessa tag experimental-dançante e um dos nomes responsáveis por uma bem-vinda renovação na house music – e faz isso prestando homenagem a seus criadores que, tenho certeza, aplaudiriam a mistura de acapella com batidas estranhas feita para as pessoas dançarem. Há um DNA underground, improvisado e desrespeitoso de qualquer regra que se torna comum ao começo dos anos 90 e ao começo dos anos 10. Esse mix do Ital pra Fact talvez seja o exemplo mais interessante disso.

Ah, Tem um bom perfil do cara também, aqui.

Go go go: http://wheresyrchild.com/http://www.listentosilk.com/

Goo entrevista: Dâm Funk

28 Nov

Vai ao ar no próximo Goo (sábado, 03/12/2011) a entrevista que fizemos com o Dâm-Funk aqui em São Paulo esses dias. O moço veio para o Brasil para tocar no festival Inner, junto com artistas de modalidades diversas.

Dâm-Funk, cujo nome verdadeiro é Damon, é um dos mais criativos produtores da Califórnia hoje, conhecido como “embaixador do boogie funk” (título que detesta) e pode falar por horas seguidas das diferenças entre um tipo X ou Y de funk. É um cara cheio de marra, que gosta de Francois Kervokian e Snoop Dog na mesma medida e tem fala suave num clima entre o xavequeiro e o boa gente. Ninguém hoje representa o funk meloso de Los Angeles como ele.


Além de lançar suas faixas pela importante Stones Thrown (pense em Madlib, Mayer Hawthorne, MF Doom, Aloe Blacc) Damon atua como DJ num setup que inclui discos de vinil, um microfone e um pequeno sintetizador. A estada em São Paulo teve tempo pra aquela visita padrão aos lojas de discos usados onde o cara achou “algumas coisas  que estava procurando faz tempo”.

Não quis entregar o ouro mas, da mesma forma que um de seus ídolos, o Moodymann, usa o microfone para falar os nomes dos artistas que está tocando durante o set.

E aproveitando o assunto “vinil exótico brasileiro”, Dâm-Funk não pareceu muito impressionado com o Batuta Sessions do 2Many DJs, dizendo que ouviu mas que “já gostava dessas coisas antes”. He.


Mas vamos lá, uma das coisas legais do Dâm-Funk é sua relação com outros músicos que não são ligados ao mesmo universo funk/groove. O cara não mede elogios, por exemplo, a Ariel Pink (no twitter esses dias: “quando os humanos vão perceber que esse é um dos maiores gênios da música hoje?”). A amizade rendeu esse ótimo remix para “Fright Night” e, segundo Damon, Ariel é um dos convidados de seu próximo álbum, que sai em 2012.


Outra parceria que não parece óbvia num primeiro momento é com a cantora/compositora Ramona Gonzales, a Nite Jewel. Não parece mas faz todo o sentido depois de escutar. Ramona deve estar no tal disco de 2012 e o Nite Funk também deve ter um álbum próprio. Quando? Ele não diz. Mas rola downloads aqui e aqui de algumas faixas soltas.


Historinha: no começo do ano no SXSW eu cruzei todas essas figuras no mesmo dia. Após entrevistar a Ramona no subsolo de um bar (tem essa entrevista numa das primeiras edições do Goo) fui para um show do Ariel Pink e o Dâm-Funk era um dos convidados. Num papo rápido, ele contou que seu projeto com a Nite Jewel deveria render álbum logo. Não fiquei pra ver até o fim do show porque tinha que ir ver o show de outras meninas da mesma galera que a gente tinha acabado de conhecer, as irmãs Kaplan do Puro Instinct (que também estão em entrevista no Goo). São essas gurias que Dâm-Funk citou na entrevista ao Goo como donas do melhor videoclipe de 2011.

Todo esse papo e mais uma explicação digna sobre o boogie funk a gente deve mostrar no programa. Perde não!


GOO MTV com Yelle, Lana Del Rey, Dâm-Funk

Sábado, 03/12/2011, 23h

Reprise terça, 21h

ps: aqui, um set do cara no Beats in Space ;D

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 5,666 other followers